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| Fotografia de Tuane Eggers https://www.flickr.com/photos/uncolortv/ |
Seus quatorze anos já tinham lhe
ensinado algo, mas não tinham ensinado como controlar a ansiedade. Tinha
aguardado muitos dias pela festa, e enquanto sentia a água quente do chuveiro, um
contentamento alternava com um frio na barriga. Passou hidratante no corpo
todo, não para hidratar, mas porque o perfume era bom. Enrolada na toalha,
escovou os cabelos compridos sob o calor do secador. Vestiu a roupa nova e
olhou-se no espelho. Gostou do que viu, mas não se sentiu segura. Trocou muitas
vezes de roupa até que vestiu a roupa preferida. Agora sim, sentiu-se
confiante. Demorou uma eternidade na tarefa de delinear os olhos, nunca ficava
perfeito nas primeiras tentativas. O rímel era mais fácil, mas alguns cílios
insistiam em se unir, ao invés de ficarem separados, curvados e lindos! Passou
o batom vermelho, que na escala de dificuldade dos batons, é o pior,
definitivamente. Resolveu trocar o sapato, e trocou mais uma vez, e ainda
outra, para depois voltar à primeira opção. Olhou-se pela centésima vez no
espelho e concluiu que tudo tinha dado certo: conseguiu o melhor resultado que
poderia conseguir. Enfim, sentiu-se satisfeita. Ao cruzar a sala em direção à porta
de saída, o pai proferiu: -Parece uma puta! Seus quatorze anos não tinham
ensinado como controlar a ansiedade, mas muito antes dos quatorze tinha
aprendido que a vida pode ser cruel.
