Odin e Verbelndung
-Permite-me ofertar-te ajuda,
bela jovem.
-Bela, eu? Como podes falar de
minha beleza se nem me conheces?
-Sim, tu és bela. Muito bela!
-E quem és tu?
-Eu sou Odin, aquele a quem
chamam O de um olho só. E tu, como te chamas?
-Me chamo Verblendung, a que nada
vê e que nada sabe de sua beleza.
-Certamente, pois se diz que a
beleza está nos olhos de quem vê. Ainda assim, estou seguro de que a beleza
está em ti e não em mim!
-O que te trazes aqui, Odin?
-Julgo que seja o destino!
-Há tempos não chega ninguém de
fora. O último chegou aqui bem antes de eu nascer.
-Dize-me, bela Verblendung, que
má sorte abateu-se sobre esta aldeia? Estão todos cegos pelo que pude ver!
-Somos todos cegos e isto sempre
foi assim. Jamais eu, ou alguém, vimos
coisa alguma! Dize-me Odin, como posso saber se dizes a verdade quando falas de
minha beleza?
-Podes saber que falo a verdade,
pois falo com o coração!
-Disto eu não duvido, mas como
posso saber que enxergas realmente?
-Se não pudesse ver, como saberia
dizer que teus cabelos são como ondas douradas a adornar o teu rosto?
-Ondas douradas? O que estás a
falar?
-Sim, ondas como as do mar e
douradas como o sol!
-Que sandices estás a falar?! Não
sei o que é o mar e do sol conheço apenas o calor. Tu queres me enganar! Não
podes realmente ver! Se pudesses, saberias dizer o que trago na mão!
-Tu não trazes nada na mão e ela
está aberta, com a palma estendida para cima. Vejo, pelo teu espanto, que agora
acreditas em mim! Conserva tua mão assim, quero dar-te um presente.
-O que é isso?
-É um adorno feito pelas mãos
habilidosas de um estimado amigo. E, agora, eu o submeto ao maior desafio que ele
poderia enfrentar, que é tornar-te ainda mais bela.
-Agradeço o presente! Tu poderias
prendê-lo em meu cabelo?
-Seria um prazer!
-E então, como ficou?
-Continuas linda!
-Deixa-me vê-lo, Odin, com minhas
mãos.... Pareces-te com o que imaginei ao ouvir tua voz! Raramente me engano! E,
tu também és belo! O que vieste fazer aqui?
-Não sabia qual o propósito até
encontrar-te. Apenas minhas pernas e uma ânsia me moviam. Mas preciso seguir
viagem. Ficaria encantado de gozar de tua companhia. O que me dizes?
-Para onde vais?
-Para todos os lugares aonde
ainda não fui. Não os vi ainda. Mas, como tu, raramente me engano.
-O que me dizes de ficar aqui?
-Não posso! Minhas pernas e minha
alma me dizem que ainda não é hora de parar.
-Pois segue teu caminho, então!
-Depois de
ver-te, bela Verblendung, minha alma inquieta ficará dividida se não fores
comigo!
-Aquieta tua alma então, e fica.
Nunca ouviste que em terra de cego quem tem um olho é rei?
-Sim, já ouvi, mas a sabedoria
recolhida do caminho que trilhei me diz que em terra de cego quem tem um olho é
louco! Vem comigo, te rogo!
-OK, POR HOJE É SÓ. AMANHÃ
REPASSAREMOS ESTA PARTE E FAREMOS AS MARCAÇÕES.
-Bem que a gente poderia mudar o
final. Vocês sabiam que, hoje em dia, os finais felizes é que são subversivos?
-Pode até ser, mas não se pode
modificar algo que já existe e, principalmente, não se pode modificar o que não
é seu!
-CONCORDO! ALÉM DISSO,
SUBVERSIVOS OU NÃO, FINAIS FELIZES NÃO CONDIZEM MUITO COM A REALIDADE.
-Como vocês estão amargos hoje!
Nossa, nem vi o tempo passar! Preciso correr, tenho prova hoje. Espero os dois
lá em casa hoje à noite.
-Boa sorte na prova!
-VAI-TE, BELA VERBLENDUNG, DEIXA
QUE A CERVEJA SEJA POR NOSSA CONTA!
Emma Tommas