quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Odin e Verblendung

Imagem: Lauri Blank http://blankstudio.com/


Odin e Verbelndung

 
-Permite-me ofertar-te ajuda, bela jovem.
-Bela, eu? Como podes falar de minha beleza se nem me conheces?
-Sim, tu és bela. Muito bela!
-E quem és tu?
-Eu sou Odin, aquele a quem chamam O de um olho só. E tu, como te chamas?
-Me chamo Verblendung, a que nada vê e que nada sabe de sua beleza.
-Certamente, pois se diz que a beleza está nos olhos de quem vê. Ainda assim, estou seguro de que a beleza está em ti e não em mim!
-O que te trazes aqui, Odin?
-Julgo que seja o destino!
-Há tempos não chega ninguém de fora. O último chegou aqui bem antes de eu nascer.
-Dize-me, bela Verblendung, que má sorte abateu-se sobre esta aldeia? Estão todos cegos pelo que pude ver!
-Somos todos cegos e isto sempre foi assim.  Jamais eu, ou alguém, vimos coisa alguma! Dize-me Odin, como posso saber se dizes a verdade quando falas de minha beleza?
-Podes saber que falo a verdade, pois falo com o coração!
-Disto eu não duvido, mas como posso saber que enxergas realmente?
-Se não pudesse ver, como saberia dizer que teus cabelos são como ondas douradas a adornar o teu rosto?
-Ondas douradas? O que estás a falar?
-Sim, ondas como as do mar e douradas como o sol!
-Que sandices estás a falar?! Não sei o que é o mar e do sol conheço apenas o calor. Tu queres me enganar! Não podes realmente ver! Se pudesses, saberias dizer o que trago na mão!
-Tu não trazes nada na mão e ela está aberta, com a palma estendida para cima. Vejo, pelo teu espanto, que agora acreditas em mim! Conserva tua mão assim, quero dar-te um presente.
-O que é isso?
-É um adorno feito pelas mãos habilidosas de um estimado amigo. E, agora, eu o submeto ao maior desafio que ele poderia enfrentar, que é tornar-te ainda mais bela.
-Agradeço o presente! Tu poderias prendê-lo em meu cabelo?
-Seria um prazer!
-E então, como ficou?
-Continuas linda!
-Deixa-me vê-lo, Odin, com minhas mãos.... Pareces-te com o que imaginei ao ouvir tua voz! Raramente me engano! E, tu também és belo! O que vieste fazer aqui?
-Não sabia qual o propósito até encontrar-te. Apenas minhas pernas e uma ânsia me moviam. Mas preciso seguir viagem. Ficaria encantado de gozar de tua companhia. O que me dizes?
-Para onde vais?
-Para todos os lugares aonde ainda não fui. Não os vi ainda. Mas, como tu, raramente me engano.
-O que me dizes de ficar aqui?
-Não posso! Minhas pernas e minha alma me dizem que ainda não é hora de parar.
-Pois segue teu caminho, então!
-Depois de ver-te, bela Verblendung, minha alma inquieta ficará dividida se não fores comigo!
-Aquieta tua alma então, e fica. Nunca ouviste que em terra de cego quem tem um olho é rei?
-Sim, já ouvi, mas a sabedoria recolhida do caminho que trilhei me diz que em terra de cego quem tem um olho é louco! Vem comigo, te rogo!
-OK, POR HOJE É SÓ. AMANHÃ REPASSAREMOS ESTA PARTE E FAREMOS AS MARCAÇÕES.
-Bem que a gente poderia mudar o final. Vocês sabiam que, hoje em dia, os finais felizes é que são subversivos?
-Pode até ser, mas não se pode modificar algo que já existe e, principalmente, não se pode modificar o que não é seu!
-CONCORDO! ALÉM DISSO, SUBVERSIVOS OU NÃO, FINAIS FELIZES NÃO CONDIZEM MUITO COM A REALIDADE.
-Como vocês estão amargos hoje! Nossa, nem vi o tempo passar! Preciso correr, tenho prova hoje. Espero os dois lá em casa hoje à noite.
-Boa sorte na prova!
-VAI-TE, BELA VERBLENDUNG, DEIXA QUE A CERVEJA SEJA POR NOSSA CONTA!

Emma Tommas

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