![]() |
| Imagem: Francisco de Zurbarán |
Na literatura e no cinema, podemos encontrar vários exemplos de duplas dinâmicas. No romance "O Nome da Rosa", tem uma duplinha à la Pink & Cérebro. O frei franciscano Guilherme e o noviço Adso têm uma dinâmica interessante, e muitas vezes o diálogo entre eles é muito engraçado. Deixo aqui um trecho que eu gosto muito.
"(Guilherme) 'E tu não fiques muito encantado com essas tecas. Fragmentos da cruz eu vi muitos outros, em outras igrejas. Se todos fossem autênticos, Nosso Senhor não teria sido supliciado sobre duas achas cruzadas, mas sobre uma floresta inteira.'
'Mestre!', disse escandalizado.
'É assim, Adso. E há tesouros mais ricos ainda. Faz tempo, na catedral de Colônia, vi o crânio de João Batista aos doze anos de idade.'
'Verdade?', exclamei admirado. Depois, invadido por uma dúvida: 'Mas o Batista foi morto em idade mais avançada!'
'O outro crânio deve estar num outro tesouro', disse Guilherme com o rosto sério.
Não entendia nunca quando estava zombando. Nas minhas terras, quando se brinca, se diz uma coisa e depois se ri com muito barulho, de modo que todos participem da brincadeira."ECO, Umberto.O nome da rosa.RJ:O Globo;SP:Folha de SP,2003.p.408

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seja bem-vindo à bolha! Deixe seu comentário aqui: