quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Naco da bolha mãe

Imagem: Francisco Goya

Muitas vezes, anoto passagens interessantes de textos que leio. Às vezes é um parágrafo, uma idéia, uma frase. Não são a refeição completa, com entrada, prato principal e sobremesa. São pedaços. É como aquela mordida, em que se abocanha parcialmente a comida. Se o sabor lhe agradar, com certeza essa será a primeira de várias. Caso não agrade, paciência. Afinal, gosto é gosto. Deixo um naco que deixou o meu paladar extremamente contente:

"e assim abri a boca e acrescentei, dizes ao teu irmão que é um porco, e que das poucas coisas que me dariam gozo nesta vida uma era desfazê-lo à paulada até lhe arrancar a cabeça. dava-lhe tantas naquele focinho que havia de lhe arrancar os lábios, para nunca mais ninguém lhe dizer que tem a boca da mãe, porque ele não tem o direito de ficar com rigorosamente nada da mãe. ouviste, elisa. ouviste. dizes ao teu irmão que se mate, mas que nunca se atreva a aparecer aqui."
 MÃE, Valter Hugo.A máquina de fazer espanhóis.SP:Cosac Naify,2011. p 47

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