Faltam algumas páginas para eu terminar de ler o Clube da Luta, mas acho que já posso afirmar que esta foi a melhor adaptação de livro para o cinema que já vi até hoje. Adoro o filme e já estava com vontade de ler o livro há tempos, mas estava esgotado e não encontrava em lugar nenhum. Finalmente foi reeditado e fui presenteada por uma amiga querida com o exemplar que agora devoro. O livro é muito bom, assim como o filme. Deixo algumas pérolas de Tyler Durden, Marla Singer & Cia:
"Depois de eu ir dormir na noite passada, Tyler me disse que chegou de seu turno de garçom, e Marla ligou de novo do Regent Hotel. Era o fim, ela falou. Havia um túnel e uma luz que a levava pelo túnel. A experiência de morrer era tão legal que Marla queria que eu a escutasse enquanto ela descrevia sua experiência de sair do próprio corpo e flutuar.
Marla não sabia se seu espírito conseguiria usar o telefone, mas queria pelo menos que alguém ouvisse seu último suspiro. (...)
Ela o empurra para o corredor e diz que sente muito, mas ele não deveria ter chamado a polícia e que provavelmente os policiais estão lá embaixo naquele momento.
Já no corredor, Marla tranca a porta do 8G e empurra Tyler em direção às escadas e, quando estão nelas, os dois se encostam na parede quando policiais e paramédicos passam carregando oxigênio e perguntando onde é o 8G.
Marla diz que é a porta no final do corredor.
Marla grita para os policiais que a garota que vive no 8G costumava ser linda e encantadora, mas que agora é uma vagabunda monstruosa. Que a garota é um lixo humano infectado, confusa, com medo de se comprometer com a coisa errada e assim não se compromete com nada." (p.71)
"Digo a Tyler que Marla não precisa de um amante, e sim de um assistente social." (p.74)
"Estou começando a pensar se Marla e Tyler são a mesma pessoa. A não ser pelas fodas, todas as noites no quarto de Marla
Transando.
Transando.
Transando.
Tyler e Marla nunca estão no mesmo lugar. Eu nunca os vi juntos.
Por outro lado você nunca me vê ao lado de Zsa Zsa Gabor e isso não quer dizer que somos a mesma pessoa. O Tyler simplesmente não sai do quarto quando Marla está por aqui.
Para que eu possa lavar minha calça, Tyler precisa me ensinar a fazer sabão.
Ele está lá em cima e a cozinha está com cheiro de cravo e pelo queimado. Marla está sentada à mesa da cozinha queimando a parte interna do braço com um cigarro de cravo e chamando a si mesma de limpador de bunda.
-Aceito minha própria corrupção doentia e pustulenta - Marla diz para a brasa avermelhada da ponta de seu cigarro e depois o enfia na parte interna do braço branquelo. -Queime, bruxa, queime.
Tyler está lá em cima no meu quarto olhando para os dentes no espelho e diz que me arranjou um trabalho de garçom, apenas meio período.
-É no hotel Pressman, se você puder trabalhar à noite - ele diz. -Esse trabalho despertará o seu ódio de classes. (p.77)
"Meu pai sempre dizia:
-Case antes do sexo ficar tedioso, senão você nunca se casará.
Minha mãe dizia:
-Nunca compre nada com zíper de náilon.
Eles nunca disseram nada que valesse a pena ser bordado em uma almofada." (p.78)
"Enquanto Marla ainda está sentada à mesa da cozinha eu pego o cigarro de cravo do meio de seus dedos, devagar e com calma. Com um pano de prato eu limpo as cinzas das queimaduras do braço de Marla que começaram a rachar a pele e a sangrar. Depois coloco cada um de seus pés em sapatos de salto alto.
Marla olha para mim enquanto faço aquele teatro de Príncipe Encantado com seus sapatos e diz:
-Eu cheguei e fui entrando, achei que não tinha ninguém em casa. Sua porta da frente não tranca.
Não respondo nada.
-Sabe, a camisinha é o sapatinho de cristal da nossa geração. Você a coloca quando encontra um estranho. Você dança a noite toda e depois joga fora. A camisinha, quero dizer, não o estranho." (p.79)
"O que você precisa saber é que Marla ainda está viva. A filosofia de vida de Marla, ela me disse, é que ela pode morrer a qualquer momento. A tragédia na vida dela é que ela não morre." (p.134)
"O coração de Marla tem a aparência da minha cara. O lixo do mundo. Humano limpador de bunda depois de consumido e que ninguém jamais teria o trabalho de reciclar." (p.135)
"O trabalho era chato e o pagamento ridículo, por isso o presidente do sindicato unido dos projecionistas unidos e união dos cinemas unidos disse que estava fazendo um favor a Tyler ao dispensá-lo diplomaticamente." (p.140)
"A primeira coisa que o gerente do hotel me disse é que eu tinha três minutos.
Nos primeiros trinta segundos, contei como tinha mijado nas sopas, peidado nos crème brûlées, espirrado nas endívias e que agora queria que o hotel me enviasse um cheque todas as semanas com o equivalente ao que eu ganhava mais as gorjetas. Em troca eu não viria mais trabalhar nem iria aos jornais ou ao departamento de saúde pública para uma confissão confusa e chorosa.
As manchetes:
Garçom Perturbado Admite Contaminar a Comida.
Claro, eu digo, sei que posso ir para a cadeia. Podem me enforcar, arrancar minhas bolas, me arrastar pelas ruas, me esfolar e me queimar com soda cáustica, mas o hotel Pressman sempre será lembrado como o hotel onde as pessoas mais ricas do mundo tomaram mijo." (p.141)
"Em uma linha do tempo longa o suficiente, a taxa de sobrevivência de todo mundo cai para zero." (p. 219)
PALAHNIUK, Chuck. Clube da Luta. São Paulo: Leya,2012.

