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| Aram Vardazaryam http://vardazaryan.net/ |
Quando a razão se torna deus,
começamos a escavar um buraco em busca da raiz de todas as coisas. Escavamos
com afinco, pois temos a certeza de que a qualquer momento encontraremos o que
procuramos. Assim, vamos nos afastando da superfície, mas não percebemos, pois
nossa atenção está voltada para baixo. Passa-se algum tempo e continuamos nossa
busca, mas sem sucesso. Sentimo-nos fatigados e por um instante paramos para
descansar. Olhamos em volta e temos uma sensação claustrofóbica, estamos
sozinhos e no escuro. Acima de nós há uma saída, porém está fora do nosso
alcance. Nesse momento nossa mente não se empenha em descobrir uma maneira de
sair dali, simplesmente porque se recusa a acreditar que todo seu esforço foi
em vão. Então, continuamos a cavar, não com a mesma certeza de antes, mas com
uma urgência desesperada de quem se sente só e sem saída. Avançamos mais alguns
metros em direção ao nada e começamos a nos sentir realmente cansados. Sem
forças para prosseguir, permanecemos imóveis no interior do buraco. A luz em
cima de nós agora está muito distante e estamos muito fracos para chamar por
socorro. Permanecemos ali por um longo tempo. É um período tenebroso em que
vivenciamos uma espécie de inferno pessoal. Estamos sozinhos e nossa alma sofre
uma dor constante e insuportável. Aos poucos, vamos nos acostumando a ela e uma
espécie de indiferença toma conta de nós. Não escavamos mais, pois já não
acreditamos mais que haja alguma coisa para buscar, e não tentamos sair dali,
pois estamos muito fracos para percorrer o caminho de volta. Nossa percepção
fica tão negra quanto a escuridão que nos rodeia. Tudo parece sem vida e sem
importância. Quem sabe seja o eco vindo do interior de nós mesmos. Poderíamos
chamar a isso de morte? Talvez sim. E assim se sucedem os dias e permanecemos
mortos de certa forma. Quando achamos que o vazio que nos rodeia é
interminável, e que vamos simplesmente rastejar sobre a face da terra ou
permanecer imóveis no interior do buraco, avistamos algo que nos chama a atenção.
É uma corda suspensa, vinda lá de cima. Há quanto tempo esta corda estava ali?
Nós realmente não saberíamos dizer. Começamos a subir por ela em direção a
saída, mas esta escalada é muito difícil. Estamos fracos, mal conseguimos
suportar o peso de nossos próprios corpos. À medida que vamos avançando vemos a
luz cada vez mais intensa. Ela castiga nossos olhos acostumados à penumbra. À
meio caminho nos ocorre um pensamento. Qual realidade é melhor: a conhecida e a
qual nos habituamos, ou a desconhecida, que atiça a curiosidade, mas que nos
causa certo desconforto? Depende da percepção de cada um. Seja como for,
continuamos a subida e quando finalmente alcançamos a saída, sentimo-nos um
pouco zonzos. O mundo é o mesmo desde que o deixamos, mas estranhamente ele
parece muito diferente agora, ou será que fomos nós que mudamos? Há muitas coisas novas e nos deparamos com
várias situações inéditas. Sentimo-nos como crianças aprendendo a caminhar e
aprendendo tantas outras coisas. Embora erremos às vezes ou caiamos no meio do
caminho, isto não nos impede de seguir adiante. Finalmente compreendemos que o
aprendizado pode ser divertido mesmo que ele nos faça chorar de vez em quando.
Compreendemos também que sempre há uma escolha, mesmo quando ela parece inexistente
e o que quer que façamos irá repercutir em nós mesmos e nos outros. Entendemos
que tudo tem começo, meio e fim, e que devemos celebrar cada etapa do que quer
que seja com intensidade. Passamos a perceber que a vida é um espiral
infinito, feito de breves momentos elípticos, onde absolutamente tudo é uma
questão de percepção.

Preciso te dizer que uma das coisas mais fantásticas da vida é quando lemos ou ouvimos algo que parece ter sido escrito, composto prá gente, porque não importa qual foi a intenção do autor, naquele momento o texto foi para o leitor, a música foi para o ouvinte.E, esse teu texto caiu como luva, vestiu minha alma num determinado momento. E, embora tudo doesse ainda, as tuas palavras vestiram essa dor de beleza e tudo ficou mais leve. Não pare de escrever nunca, o mundo precisa da tua sensibilidade.
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