domingo, 29 de dezembro de 2013

(Des) Encontro

Jonathan Jacobsen http://www.flickr.com/photos/loganart/




Não me entenda mal, eu acho essa história de amizade colorida bem interessante. Aliás, acho até que foi uma das melhores coisas que já inventaram. Algum afeto, sexo e nenhum compromisso. Perfeito!, principalmente para um porco-espinho como eu. Só que amizade colorida não é possível com todo tipo de pessoa. É possível assim, com pessoas que a gente não tá muito aí. Como assim? Se por acaso tu encontrares com um amigo colorido e ele estiver com outra, sendo ela colorida ou não, nada muda pra ti, entende? Essa situação não te afeta de modo algum, a vida continua do mesmo jeito, inalterada. O mundo de dentro também segue, ileso. Só que contigo é diferente. Acho que meu afeto por ti extrapolou as medidas. Dizem que afeto não se mede, mas eu discordo. A ciência por mais evoluída que seja ainda não inventou um instrumento para medir o afeto, mas eu acabo de criar uma fórmula para quantificar a variável em questão. Não é uma fórmula como a de Bhaskara e tal, na verdade não é bem uma fórmula. É mais um raciocínio lógico. Raciocínio lógico é quase científico, não é? Lá vai: o afeto é diretamente proporcional ao quanto tu é afetado. Nestas circunstâncias, se não te afeta encontrar um amigo colorido com outra, significa pouco afeto pelo referido amigo. Se te afeta muito encontrar um amigo colorido com outra, a ponto de sentir convulsões no estômago, o peito esmagado, dificuldade para respirar e vontade de chorar, gritar, correr, sumir, socar alguma coisa/alguém & afins, isto denota muito afeto pelo amigo, logo a amizade colorida está condenada.
Sim, eu sei que homens e mulheres são diferentes. Os homens em geral são um pouco mais discretos, jamais do alto de sua macheza se permitiriam demonstrar tal destempero. Mas sentimento é sentimento, independe de gênero, eu acho.
Eu sei que tu me entendes, bem no fundo eu sei que sim. E eu também te entendo, bem no fundo eu sei que sim, embora às vezes pense que é uma crueldade tu ficar aí sentado sobre as tuas verdades, sem ceder um milímetro. Mas aí me vejo sentada sobre as minhas próprias verdades, incapaz de ceder também. Então considero que vai aí nessa tua atitude algo como vai na minha, uma incapacidade de ir contra aquilo que se sente e aquilo que se é. E fico pensando em como somos bem coerentes, eu e tu, no que se refere a mim e a ti. Então ficamos assim, coerentes, sentados sobre as nossas próprias verdades, incapazes de avançar um palmo na direção um do outro.
É, pode até ser, mas me ocorre outra coisa, aqui sentada. Fico pensando que se, ao me imaginar com outro cara, tu não tenha tido nenhum indício de convulsões no estômago, peito esmagado, vontade de gritar ou alguma dessas coisas todas, isto denota pouco afeto por mim. Logo, a distância entre nós aumenta consideravelmente, de alguns palmos para um abismo intransponível. Tudo bem, acho que exagerei, nem é tão instransponível assim. Só que tem muito afeto do lado de cá, e pouco afeto desse lado aí. Então transpor a distância, seja ela grande ou pequena, não vale à pena. Adoraria ficar, como tu bem sabes, mas já é tarde e eu preciso tomar o meu rumo. A gente se vê por aí.

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