Não costumo colocar vídeos aqui
neste blog, mas vou abrir uma exceção, para mostrar como foi que entrei em
contato com as palavras do Eduardo Marinho. Este foi o primeiro vídeo que
assisti desse cara.
Fiquei encantada com a
experiência de vida dessa figura. Dar um giro de 180°, se desfazer de tudo pra ver
qual é que é da vida, experimentar, aprender, vivenciar, enfim, achar um
sentido pra própria existência. E quando eu digo “se desfazer de tudo” não estou me
referindo só à grana. O que ele fez me lembrou o cara do Clube da Luta, que
explode o próprio apartamento, numa perspectiva de que só quando se perde tudo
é que se tem a possibilidade de fazer qualquer coisa. A isso se chama
revolução, guinada, mudança total de direção. Curioso eu topar com o Eduardo
justo quando penso em explodir alguns cômodos e fazer uma reforma (não sou tão impetuosa quanto
gostaria!). Talvez porque na hora certa as
coisas cheguem até nós, ou talvez porque a gente vai em busca quando sente
necessidade, e se sente necessidade, é porque é a hora certa. Enfim, escrevi para o Eduardo e pedi o livro “Crônicas
e Pontos de Vista.” Já no começo do
livro eu senti um soco no estômago. Ele faz uma dedicatória ao pai que é linda
e doída. “Lamentei cada grão da dor que minhas atitudes provocaram. Ninguém
viu, ninguém sabe, ninguém acredita.” Antes de eu ler isso, tinha pensado
que contrariar a família e ir em busca da própria verdade tinha sido algo muito
fácil pra ele. Tentei imaginar o Eduardo aos dezoito anos, com toda a
leveza que os dezoito nos proporcionam, e imaginei isso agora, aos trinta e cinco, e
dizem que nossa memória vem sempre carregada de uma forte dose de nostalgia,
que atenua e melhora o que quer que seja. Acho que esse Eduardo juvenil foi só
imaginação minha, porque aos dezoito também temos coração e não somos muito
diferentes do que, essencialmente, somos aos trinta e cinco e aos noventa. Por
isso, Eduardo, te digo que eu acredito na tua dor.
Eduardo inicia o primeiro
capítulo dando a letra para a “felicidade”, vamos dizer assim. “A expectativa
indevida é a mãe de muitas frustrações.” Essa foi uma das mais importantes reflexões
que eu tive lendo este livro. Ele diz algo como faça pelo prazer de fazer e
tudo está certo. Ou seja, o mais importante é o FAZER, e não as consequências
advindas deste fazer. Pode parecer uma coisa óbvia, mas eu não tinha conseguido
pensar nisto antes de ler este livro. Identificar os anseios interiores e agir conforme
eles, já é a realização. As consequências são meras consequências, e compreender isto
profundamente, garante sua auto realização e evita frustrações. Mais ou menos como sentir impulsos para semear
e sair por aí jogando sementes pra tudo que é lado sem se importar se elas vão
germinar ou não. Se elas germinarem, ótimo! Se elas não germinarem, ótimo
também! Você está fazendo sua parte, e isso sim é que é realmente ótimo! Aliás, essa foi outra coisa que fiquei
pensando depois de ler este livro. Qual é a minha parte? Ou seja, qual a minha
contribuição? Tenho pensado nisso e já cheguei a algumas conclusões.
Você não sabe o que fazer?
Eduardo também dá uma dica: “(...) a vida nos dá os sinais. Se não der, imagino
a necessidade da decisão, da vontade. Mas em geral não vemos os sinais que
estão ao nosso lado ou aparecem pela vida. Mas muito cuidado – quando, na
procura, há uma vontade enorme de encontrar, acabamos achando onde não há.”
(p.33) Concordo com ele plenamente, e também acho que a capacidade para fazer
tal leitura requer uma disposição mais feminina, introspectiva e sutil. Se você
não sabe ler dessa forma, eu acredito que é plenamente possível que você
consiga aprender, basta voltar-se para dentro e ficar antenado. Talvez precise
de um tempo e algum treino, afinal, aprender algo novo sempre requer tempo e
algum esforço.
Eduardo também fala em “coletividades”
em contraponto ao individualismo que permeia nossa sociedade. Somos todos parte
da mesma coisa, sabe aquele esquema de que o micro tá no macro e vice-versa?
Ele escreve: “Não trabalho para ver o resultado. Trabalho na direção do
resultado que eu desejo, não para mim, mas para todo mundo. Conheci muita, mas
muita gente trabalhando diretamente no aprimoramento do ser humano e da
sociedade. (...) São exceções à regra em todos os lugares e tempos, pedras
preciosas no cascalho humano, que distribuem brilho em seu meio , na
coletividade à sua volta, seja na profissão que for ou em qualquer atividade.”
(p.52) Ainda sobre isso ele escreve mais adiante: “É um grupo crescente de
pessoas, sempre e ainda exceções à regra geral, que tem outro brilho nos olhos,
uma vibração pessoal diferente, uma abertura na mentalidade que as diferencia
da maioria (...) Da mesma forma que levou tempo para se formar essa estrutura
social, leva tempo pra reformar, muitas gerações de instrução, de informação,
de conscientização. Quem pretendeu mudar o mundo em uma vida, ou desistiu ou
morreu cedo. Bem, acho que são duas formas de morrer.” (p.65) Eu também acho
que são duas formas de morrer, e não quero morrer em vida nunca mais! Ainda
sobre a coletividade: “ Dizem que o mundo é uma guerra, a vida é uma competição
e que todos são adversários, em suas áreas. Mentira. Somos irmãos seguindo a
aventura da vida, nos desenvolvendo e procurando formas de resolver nossos
problemas, solidariamente. Somos gregários, precisamos de harmonia, não de
competição. A mídia é que nos instiga uns contra os outros, com a idéia furada
de ‘vencedor’ e ‘perdedor’. Nossa união
apavora seus patrões. E a eficiência é
tanta que mesmo entre os que se dizem revolucionários se vêem esses padrões de
comportamentos e valores. Passar da competição à cooperação é um degrau da
evolução humana.” (p.71)
Tem um parágrafo que eu acho que
resume bem o que o Eduardo Marinho pensa a respeito das diferenças sociais, que
eu acredito que toda pessoa minimamente decente há de concordar: “Não é
possível se orgulhar de uma sociedade que ostenta tanta barbárie, miséria e ignorância;
ilhas de fartura e ostentação, privilégios e desperdícios para poucos, em meio
a um mar de pobreza, de lutas insanas e vidas difíceis. Uma grosseria, uma
vergonha, uma insensibilidade, uma desumanidade.” Além da crítica, Eduardo
aponta novamente a saída: “É preciso questionar a sociedade, sua estrutura
injusta, covarde, hipócrita e suicida, mas a partir de cada um de nós, dos
nossos próprios condicionamentos. É preciso se questionar a si mesmo, para
perceber como reproduzimos os comportamentos sociais induzidos,
individualmente, nas nossas relações pessoais, em nossos valores, desejos e
objetivos de vida.” (p.67)
Enfim, salientei algumas partes do livro, mas tem outras
tantas muito interessantes também. Não quero contar o livro todo, a intenção
era aperitivar e dividir a experiência que tive com a leitura. Sem dúvida o
livro causa reflexão e nos dá algumas luzes, através do brilho da experiência desta pepita chamada Eduardo Marinho. Deixo o
endereço do blog pra quem quiser acompanhar, comprar o livro e outras artes ou trocar
uma ideia com o cara.
MARINHO, Eduardo. Crônicas e Pontos de Vista. Rio de Janeiro: Navilouca,2011.

Caraio, mirmã, orguio de tu. Poquim exagerado, de longe tudo parece perfeito, mas passa com sentimento o que precisa ser passado. Brigadão, minha mana.
ResponderExcluirBah, me emocionei! Acredito que pessoas como o Eduardo aparecem, esporadicamente, na vida das pessoas como que para dizer: "Ei, acorda!" E, quando acontece o despertar, quando nos damos conta de que todos somos um, que a dor do outro tb é a nossa dor, nada pode ser como antes. Mesmo que, aparentemente, nada tenha mudado, você mudou! E, essa mudança começa a lterar todo o contexto ao seu redor. Que bom cruzar com pessoas como ele e como tu tb no meu caminho.
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