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| Fotografia: Emma Tommas |
"À mesa contigo
Quando
arranquei
O coração do peito
E o meti sobre a mesa
Cristal sobre cristal
E lhe desferi o golpe final
Com um martelo de aço limpo
Esperei estilhaços
Como chuva de pequenos vidros
Esperei talvez
Gotas de água vermelha
E roxa
Esperei aves necrófagas
Que me puxavam por dentro a pele
Com os seus minúsculos bicos
Esperei plantas murchas
E urtigas, florestas calcinadas
Esperei vozes, gritos, patadas surdas nas paredes
Esperei vermes por dentro da madeira da caixa
Tecendo barulhos imperceptíveis
Esperei a nódoa da culpa
Aquela que não sai
Em vez de isso
Em vez de tudo isso
Ou mesmo de borboletas
E átomos que fugiam de mim
E me deixavam aos buracos
Como bandido apanhado, crivado por balas justiceiras
Células de exílio
Que à pátria
nunca regressarão
Em vez de tudo isso,
Continuo a esperar
Com um buraco no peito
E um coração partido
Sobre uma mesa partida."
O coração do peito
E o meti sobre a mesa
Cristal sobre cristal
E lhe desferi o golpe final
Com um martelo de aço limpo
Esperei estilhaços
Como chuva de pequenos vidros
Esperei talvez
Gotas de água vermelha
E roxa
Esperei aves necrófagas
Que me puxavam por dentro a pele
Com os seus minúsculos bicos
Esperei plantas murchas
E urtigas, florestas calcinadas
Esperei vozes, gritos, patadas surdas nas paredes
Esperei vermes por dentro da madeira da caixa
Tecendo barulhos imperceptíveis
Esperei a nódoa da culpa
Aquela que não sai
Em vez de isso
Em vez de tudo isso
Ou mesmo de borboletas
E átomos que fugiam de mim
E me deixavam aos buracos
Como bandido apanhado, crivado por balas justiceiras
Células de exílio
Que à pátria
nunca regressarão
Em vez de tudo isso,
Continuo a esperar
Com um buraco no peito
E um coração partido
Sobre uma mesa partida."
Poema de Fernando Ribeiro retirado do blog Cofre Aberto: http://ocofreabertopoesia.blogspot.com.br

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